Cronos: The New Dawn: Terror à moda antiga

Cronos: The New Dawn mistura terror, ficção científica e mecânicas únicas de tempo em uma experiência intensa para fãs de survival horror.

O retorno do terror à moda antiga

Cronos: The New Dawn é o tipo de jogo que não tem medo de ser cruel. Ele te joga em um universo hostil, repleto de inimigos grotescos, sustos bem posicionados e uma sensação constante de vulnerabilidade. Desde os primeiros minutos, é fácil perceber que a proposta aqui é clara: recriar a tensão clássica dos survival horrors de antigamente, mas com um toque moderno de ficção científica e viagem no tempo.

A história coloca o jogador no controle de uma viajante temporal, presa em um mundo que parece se desfazer a cada segundo. A cada passo, a escassez de recursos te obriga a pensar duas vezes antes de gastar munição ou usar um item de cura. E não é exagero: Cronos realmente não pega leve. Em certos momentos, é quase inevitável aceitar a morte e recomeçar… uma escolha que reforça o peso e a autenticidade do gênero.

Combate tenso e escolhas amargas

Um dos pontos mais curiosos de Cronos: The New Dawn está no seu sistema de combate. Aqui, atirar não é apenas apertar um gatilho. Cada disparo exige que o jogador “carregue” o tiro, o que adiciona uma camada estratégica importante: escolher o momento certo para atacar pode ser a diferença entre viver e morrer. Essa decisão torna o ritmo mais metódico e pode desagradar quem prefere algo mais direto, mas contribui para a imersão e o clima de desespero constante.

Com o passar do tempo, é possível melhorar as armas e reduzir esse tempo de carregamento, além de aprimorar recarga e estabilidade. As melhorias são obtidas por meio de recursos escassos, e cada avanço é uma pequena vitória. Há também mecânicas únicas, como a coleta de “almas” de personagens específicos, que garantem bônus poderosos, mas exigem escolhas difíceis, já que só é possível manter três ativas por vez.

Outro destaque são os mods de armas, que alteram completamente a forma de jogar. Um deles, por exemplo, faz a mira exibir a barra de vida dos inimigos, enquanto as botas gravitacionais permitem andar pelas paredes, criando momentos de exploração vertiginosos. E, como se tudo isso já não bastasse, existe ainda o sistema de fusão dos inimigos: monstros derrotados podem ser absorvidos por outros, criando versões mais fortes e imprevisíveis. É um toque de crueldade brilhante… e desesperador.

Um mundo que brinca com o tempo

A ambientação de Cronos: The New Dawn é um espetáculo à parte. A manipulação do tempo é o eixo central de toda a experiência. Várias áreas exigem que o jogador use seus poderes para reconstruir estruturas, abrir passagens ou até alterar a realidade de formas criativas. Essa mecânica mantém a exploração sempre interessante e faz o jogador se sentir parte ativa desse mundo fragmentado.

Grande parte do jogo se passa em ambientes internos, claustrofóbicos e sem janelas, o que amplifica a sensação de sufocamento. São corredores escuros, laboratórios abandonados e salas cheias de ruídos inquietantes. O jogo até apresenta áreas externas, inspiradas na Cracóvia antiga, mas essas passagens são raras e acabam deixando um gostinho de “quero mais”.

Com o tempo, o jogador desbloqueia um hub central em uma antiga estação de trens, um refúgio curioso que serve tanto como base de descanso quanto ponto de progressão da história. O detalhe mais inusitado? Seus gatos colecionáveis, que aparecem por lá conforme são encontrados nos cenários, oferecendo recompensas e dando um toque de humor no meio do caos. São pequenos respiros em um mundo que parece prestes a colapsar.

Apresentação de ponta e trilha marcante

Rodando na Unreal Engine 5, Cronos: The New Dawn impressiona pela fluidez. Mesmo em momentos intensos, o jogo mantém desempenho estável, sem travamentos ou quedas bruscas de FPS, algo raro em produções independentes do gênero. O design dos inimigos é grotesco e cheio de detalhes que realmente causam desconforto. Já os ambientes internos são ricos em verticalidade, reforçando o sentimento de estar sempre cercado pelo perigo.

Mas é a trilha sonora que rouba a cena. Com sintetizadores pesados e uma pegada retrô que lembra Stranger Things, as músicas variam entre momentos de pura tensão e pausas melancólicas. É uma daquelas trilhas que ficam na cabeça mesmo depois de desligar o jogo. As legendas em português também são um destaque positivo, com localizações criativas e cheias de personalidade, embora uma dublagem oficial ainda fizesse toda a diferença.

Vale o seu tempo?

Cronos: The New Dawn é um survival horror que sabe exatamente o que quer ser: difícil, sufocante e inesquecível. Ele entrega mais de 20 horas de campanha, com múltiplos finais e uma atmosfera densa do começo ao fim. Apesar de beber muito da fonte de Dead Space, o jogo tem identidade própria, graças às suas mecânicas de viagem no tempo, fusão de inimigos e exploração gravitacional.

Não é um jogo para todos. O combate cadenciado, a escassez extrema de recursos e a curva de aprendizado exigente podem afastar quem busca algo mais acessível. Mas, para os fãs de terror psicológico e experiências intensas, é uma das surpresas mais interessantes do ano.

Em resumo, Cronos: The New Dawn não é perfeito, mas é autêntico. E, no gênero de terror, isso vale ouro.

Picoloto

Joga videogames há mais de 20 anos e agora cria conteúdo! Criador do Canal Picoloto Indica, apaixonado por jogos e empenhado em criar uma comunidade saudável para todos.

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