The Outer Worlds 2 mistura escolhas profundas, humor ácido e liberdade total, mas tropeça na execução.
The Outer Worlds 2 mistura escolhas profundas, humor ácido e liberdade total, mas tropeça na execução.
Como algo tão bom e tão ruim ao mesmo tempo consegue existir? The Outer Worlds 2 é exatamente assim. Ele tem um dos sistemas de escolhas mais inteligentes e reativos dos últimos anos, mas também traz decisões de design que fazem a gente revirar os olhos.
O novo jogo da Obsidian tenta evoluir tudo o que deu certo no primeiro título, adicionando mais liberdade, sistemas mais complexos e um humor ainda mais ácido. Mas no meio disso tudo, tropeça em detalhes que poderiam ter sido facilmente evitados.
The Outer Worlds 2 te coloca na pele de um agente do Diretorio Terrestre enviado para investigar um sistema solar destruído por fendas espaço-temporais. O cenário é caótico, cheio de facções em guerra e personagens moralmente duvidosos, e é nesse caos que o jogo realmente brilha.
Logo no início, o jogador cria seu personagem, escolhe os atributos, define pontos de habilidade e começa a moldar o estilo de jogo. É possível investir em força, inteligência, carisma, furtividade, engenharia ou hackeamento, criando builds bem variadas.
O combate é divertido e cheio de possibilidades. O jogo traz armas de fogo, espadas de energia, rifles elétricos e pistolas de plasma, além de equipamentos especiais e dispositivos tecnológicos que mudam o rumo das batalhas. Você pode desacelerar o tempo, ativar escudos, usar visão térmica ou simplesmente explodir tudo em volta.
A sinergia entre os atributos e as habilidades cria um sistema de progressão viciante. Cada ponto gasto faz diferença, e a sensação de evolução é constante. Porém, o excesso de tutoriais acaba quebrando o ritmo. A cada nova missão, o jogo interrompe a ação para explicar algo óbvio, o que cansa rápido.
Outro problema está no ritmo narrativo. Algumas missões são excelentes e cheias de escolhas interessantes, enquanto outras exigem longas leituras de documentos ou computadores, o que acaba drenando a imersão.
O sistema de Defeitos, uma das ideias mais criativas do jogo, também tem suas falhas. Ele te permite aceitar penalidades em troca de bônus, baseando-se no seu estilo de jogo, mas não há como remover um defeito depois. Ou seja, se você aceitar algo por engano, vai conviver com essa decisão até o fim.
E sim, não ter nenhuma forma de transporte em mapas tão grandes é frustrante. Você anda demais. Existe viagem rápida, mas a exploração a pé, apesar de imersiva, se torna cansativa com o tempo.

Mesmo com os tropeços, é impossível não elogiar o trabalho criativo da Obsidian na construção dos mundos. Os planetas são cheios de cor, vida e personalidade. A direção de arte é inspirada e entrega paisagens alienígenas com flora e fauna únicas.
Cada planeta é controlado por uma facção diferente, e quase sempre você precisará escolher um lado. Essas decisões têm peso real, alterando o rumo da história, os aliados que você conquista e até o destino de regiões inteiras.
Um dos grandes trunfos do jogo é a reatividade do mundo. Um simples diálogo pode definir se um personagem se tornará seu aliado ou seu inimigo. E o melhor: o jogo lembra das suas ações. Aquela pequena escolha feita no início pode retornar horas depois de forma surpreendente, afetando o desenrolar de missões importantes.
Essa liberdade se estende à forma de jogar. Missões podem ser resolvidas com diálogo, furtividade, combate direto ou hackeamento. Existem rotas alternativas, atalhos escondidos e até formas criativas de manipular o ambiente a seu favor.
Explorar o universo de The Outer Worlds 2 é recompensador, mesmo que a jornada às vezes seja lenta demais.

Aqui está o ponto mais polêmico do jogo. Visualmente, The Outer Worlds 2 é inconsistente. A direção de arte é linda, mas a parte técnica deixa a desejar. As texturas são medianas, o serrilhado é constante e as expressões faciais dos personagens são estranhas, com olhos que se movem de forma quase assustadora.
O desempenho também é irregular. Há quedas de FPS, carregamento lento de texturas e menus que demoram para abrir. O inventário é confuso e cheio de itens repetidos, e a interface de navegação é um pesadelo visual.
Por outro lado, a parte artística compensa muita coisa. Os planetas são incríveis, a iluminação é vibrante e o design das criaturas e construções mostra o capricho da equipe.
O áudio também merece elogios e críticas. O sistema de rádio é uma ideia genial, com músicas e transmissões que comentam os eventos do jogo, mas ele se sobrepõe aos diálogos e não tem legenda. Desligar o rádio faz com que você perca informações importantes da história. É uma boa ideia mal executada.
O restante do jogo está legendado em português, mas sem dublagem, o que é uma pena, já que o humor e os diálogos espirituosos pediam uma localização completa.

The Outer Worlds 2 é um jogo cheio de personalidade, ambição e momentos brilhantes, mas também de frustrações. A liberdade é enorme, as escolhas importam e a narrativa tem força. Ainda assim, o ritmo irregular, a falta de polimento técnico e o excesso de tutoriais acabam atrapalhando a experiência.
É o tipo de jogo que brilha quando você está imerso em suas missões e decisões, mas que te irrita quando os sistemas travam, o mapa demora a carregar ou o desempenho despenca.
Então, vale o seu tempo? Depende.
Se você gosta de RPGs com foco em narrativa, escolhas e humor ácido, The Outer Worlds 2 é uma boa pedida, especialmente em promoção. Mesmo com falhas, ele é divertido, criativo e recompensa quem se dedica a explorar tudo o que oferece. Pra mim, o jogo recebe uma sincera nota 7.
Mas se você não tem paciência para menus confusos, longos textos e otimização duvidosa, talvez seja melhor esperar um patch ou duas atualizações antes de se aventurar em Arcadia.