Cyberpunk 2077 em 2025: Ainda vale a pena jogar?

Depois de um dos lançamentos mais conturbados da história dos games, Cyberpunk 2077 finalmente alcança o potencial que prometia. Agora sim, Night City faz jus ao hype.

O pesadelo do hype

Cyberpunk 2077 se tornou o exemplo perfeito de como o excesso de expectativas pode destruir um jogo. Antes do lançamento, a promessa era gigantesca: um mundo aberto vivo, repleto de NPCs inteligentes, escolhas complexas e sistemas revolucionários. A realidade foi bem diferente. O jogo chegou cheio de bugs, com desempenho problemático e longe de cumprir tudo o que a CD Projekt Red havia prometido.

Mesmo assim, havia algo ali. O potencial era claro, e, nos anos seguintes, o estúdio correu atrás do prejuízo com dezenas de atualizações, melhorias e uma expansão robusta. A pergunta é: será que agora Cyberpunk 2077 finalmente se tornou o jogo que queríamos lá em 2020?

Um RPG que dá liberdade de verdade

Em Cyberpunk 2077, você vive como V, um mercenário tentando sobreviver em um futuro dominado por megacorporações, gângues e implantes cibernéticos. A personalização do personagem é completa, desde aparência até origem, cada uma com missões iniciais e diálogos exclusivos que afetam o desenrolar da história.

O sistema de combate é um dos destaques. As armas de fogo são variadas e satisfatórias, indo de pistolas a fuzis pesados, mas o jogo também brilha no corpo a corpo. É possível criar builds brutais com espadas, martelos e até lâminas que saem dos braços. O arsenal é extenso, com raridades que oferecem bônus como dano elemental e ataques carregados, além de permitir a criação de equipamentos com componentes e receitas coletadas pelo mapa.

Mas o verdadeiro tempero do jogo são os implantes cibernéticos, que transformam o corpo de V em uma máquina de guerra. Eles concedem desde melhorias passivas, como resistência e furtividade, até habilidades absurdas, como salto duplo, câmera lenta e armas embutidas. Essa liberdade cria infinitas combinações, permitindo que cada jogador monte uma build única.

E se o combate direto não é o seu estilo, também dá para apostar nos hacks rápidos. É possível invadir sistemas, distrair inimigos e até fritar cérebros cibernéticos de forma silenciosa. Essa versatilidade dá a Cyberpunk um ritmo único, equilibrando ação intensa com momentos mais estratégicos.

A progressão é profunda e recompensadora. Existem pontos de atributo, que moldam o estilo de jogo, e pontos de vantagens, que liberam habilidades passivas. Além disso, há sistemas de evolução automática que melhoram suas capacidades conforme você repete ações, por exemplo, quanto mais luta corpo a corpo, mais resistente e forte o personagem fica. É um RPG denso, mas acessível, com recompensas claras para quem se dedica.

Night City como personagem

Night City é, sem exagero, uma das cidades mais impressionantes já criadas nos videogames. É um ambiente caótico, vibrante e pulsante, com propaganda em cada esquina, pessoas discutindo, lixo espalhado e tiroteios ocasionais que lembram que a ordem ali é um conceito frágil.

O mais interessante é que cada bairro tem uma personalidade própria. Alguns são dominados por gangues inspiradas na Yakuza, outros são áreas industriais decadentes, e há também as Terras Baldias, um deserto nas bordas da cidade. Tudo tem coerência visual e sonora, o que faz o mundo parecer vivo de verdade.

Os canais, personagens que comandam os territórios e passam missões, ajudam a reforçar a sensação de pertencimento. Cumprir os contratos de cada região rende recompensas exclusivas, como armas, carros e dinheiro, incentivando a exploração.

A história principal é intensa e cheia de reviravoltas, mas as missões secundárias são o verdadeiro coração de Cyberpunk 2077. Elas surgem do nada, com NPCs aleatórios e histórias surpreendentemente bem escritas. Algumas chegam a ser mais marcantes do que a trama principal. É o tipo de jogo em que, ao aceitar uma side quest, você nunca sabe onde vai parar… e isso é ótimo.

Além disso, o sistema de escolhas e consequências continua sendo um dos pontos fortes. Decisões simples, como poupar ou eliminar um personagem, podem mudar completamente o rumo de uma missão e até o final do jogo. Essa imprevisibilidade faz Night City parecer um organismo vivo, sempre reagindo às suas ações.

Mas nem tudo é perfeito. Apesar dos avanços, os NPCs genéricos ainda são pouco reativos. Alguns comportamentos continuam robóticos, especialmente em situações de combate, e o sistema policial, embora melhorado, ainda carece de realismo. Mas, no geral, o mundo está mais estável, interessante e, acima de tudo, funcional.

Visual, som e desempenho

Visualmente, Cyberpunk 2077 continua sendo um espetáculo. As luzes de neon, os reflexos dos prédios e o caos urbano criam uma estética única. À noite, o jogo brilha… literalmente. Mesmo sem o realismo absurdo da nova geração, o conjunto artístico compensa com sobra.

No PC, o desempenho é sólido. Testes com uma RTX 3060 mostraram uma performance estável no ultra, com ray tracing desligado. Quedas de FPS e travamentos ocasionais ainda existem, mas são raros e não comprometem a experiência.

Os bugs, que antes eram uma praga, agora são mais ocasionais. Personagens atravessando objetos, luzes piscando e texturas carregando lentamente ainda aparecem, mas nada comparado ao desastre do lançamento.

A trilha sonora é outro acerto gigante. Com batidas eletrônicas, sintetizadores e ruídos metálicos, ela captura perfeitamente o espírito do gênero cyberpunk. Há momentos em que a música dita o ritmo da ação, e outros em que mergulha o jogador em melancolia pura.

E a dublagem em português merece elogios. As vozes são bem dirigidas, naturais e ajudam a manter a imersão. É um exemplo de localização de qualidade.

Vale o seu tempo?

Após anos de correções e melhorias, Cyberpunk 2077 finalmente entrega o que prometia. A história é envolvente, o mundo é vibrante e o sistema de combate se adapta a qualquer estilo de jogador. Você pode ser um hacker sorrateiro, um tanque indestrutível ou um ninja letal. A liberdade é total.

Ainda há espaço para ajustes e melhorias, mas o jogo atual é praticamente outro se comparado ao lançamento.Enfim, se você desistiu dele lá atrás, agora é a hora de voltar.

Em 2025, a resposta é simples: sim, Cyberpunk 2077 ainda vale — e muito — o seu tempo.

Picoloto

Joga videogames há mais de 20 anos e agora cria conteúdo! Criador do Canal Picoloto Indica, apaixonado por jogos e empenhado em criar uma comunidade saudável para todos.

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